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Pensamento do dia

Wed May 27, 2009, 3:55 PM
Fazer exercício está para ir à praia tal como ter explicações está para ir aos exames nacionais.

Foi o meu pensamento do dia.


Razões

Razão número um:

Porque a afluência às aulas do Prof. Luís é cada vez maior, há cada vez mais rabos novos a quererem ser firmes porque a praia está a chegar e nem pensem que vou ser gorda e flácida, vou meter inveja àquelas minhas amigas que se estão sempre a gabar dos biquínis novos mas que lhes assentam como uma tanga a um elefante...

Isto pensam elas, as outras...eu não. Sou demasiado magra e gira. Quero é que o meu colesterol baixe.


Razão número dois:

Porque quando chego a casa depois de esforços físicos extenuantes provindos das aulas do Prof. Luís, encontro umas tipas com ar de hippies versão século XXI, carregadas de dossiês, que tagarelam sobre a explicação que acabaram de ter enquanto esperam pelos papás nos seus Audis.
Vá, eu também tive explicações mas foi a LATIM. Só uma pessoa com 3 parafusos a menos como eu decide, de LIVRE e EXPONTÂNEA vontade, aprender uma língua morta. Mas o 15 (sim, eu era péssima a Latim, o 15 foi fantástico) no exame nacional soube-me bem. E também me souberam bem as groselhas com biscoitos de manteiga da Professora Aida, saboreadas nos bancos do seu jardim nas tardes quentes, com o seu cão Miró (um golden retrivier do mais fofo que alguma vez houve – paz a sua alma de cão) com a cabeça pousada no meu joelho enquanto eu cantarolava as cinco declinações e fazia traduções e versões...

Puella
Puellae
Puellae
Puellam
Puella
Puella

Puellae
Puellarum
Puellis
Puellas
Puellae
Puellis

...

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  • Listening to: U2 - No line on the horizon
  • Reading: O Estrangeiro
  • Watching: Tv desligada, é linda
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  • Eating: Waffers de chocolate...ñ são grande
  • Drinking: O meu eterno leitinho branco

A eterna saga das moscas da fruta

Sat Jul 12, 2008, 4:41 PM
Ah, o Verão..! Essa estação marota que nos põe, finalmente, a descansar 15 dias numa praia esplendorosa ou, muito simplesmente, a preguiçar na cama.
O Verão é como um belo quadro cheio de luz, uma luz dourada que resplandece para todo o ser vivo deste nosso planeta azul (e cada vez mais azul se não pararem com os gases poluentes, as vacas e o seu metano também são responsáveis). Nesse quadro, vê-se o mar a marcar a linha do horizonte, sob um céu azul, por onde se passeiam algumas gaivotas. A areia branca e quente acolhe duas simpáticas crianças que, sofregamente, enterram as pernas do avô que dorme a sesta, sossegado, com o jornal sobre o rosto engelhado. O pai e a mãe discutem se hão-de adquirir, ou não, um novo grelhador, porque o outro está velho e deita demasiado fumo, diz a mãe, mas o pai replica que não é um grelhador novo que vai atribuir mais qualidade à comida “maravilhosa” da sua esposa. A irmã mais velha lê a “Ragazza”, mirando os rapazes da sua idade, e o irmão do meio está alienado numa Nintendo DS, onde joga um jogo de voleibol de praia.
Tudo é tão perfeito no Verão.
Mas é claro – há sempre qualquer coisa a estragá-lo. As grandessíssimas filhas de uma senhora da vida das moscas da fruta.

Ao que consta, esses seres até podem nem se designar por moscas da fruta. Eu é que ouvi chamarem-lhes assim e até “gostei” do nome porque, parecendo que não, elas nascem da fruta quando menos se espera. Tempo quente equivale à proliferação desses seres que deviam ser exterminados da face da Terra, qual recompensa pela captura do Bin Laden qual quê, qual pena capital para o Saddam qual quê. Ao pé das moscas da fruta, o Voldemort é apenas um miúdo adolescente que gosta de se vestir de preto e que acredita em “magia” (muita LSD naquelas veias, coitadinho… ), para além de respeitar os direitos dos animais, claro.

Ora, vai uma pessoa à cozinha a meio da madrugada com alguma larica (que o jantar já lá vai), acende a luzita para enxergar melhor, vai à dispensa (nada de novo), decide ir ao frigorífico (nada de interessante) e conclui, essa pessoa, que é melhor comer uma peçazita de fruta já que anda toda a gente aos berros, histérica, a dizer que precisamos de comer de duas a três porções de fruta por dia. Isto é de modas: primeiro o aloé vera que começou na roupa e já vai nos iogurtes (temam), depois a redução de açúcar de algum para nenhum mesmo, depois a gordura e o sal, agora a fruta que, diga-se de passagem, se vende estupidamente cara só porque vem em polpa dentro de uns copinhos que cabem num punho, sem caroços, pele e outros inconvenientes – mas têm E’s, não se esqueçam (E’s são os conservantes, aprendi isso em Ciências da Natureza e lembro-me de a Professora referir que poderiam ser substâncias cancerígenas; inexplicavelmente, a partir desse momento, virei uma obcecada por rótulos alimentares)!

Anyway, lentamente dirijo-me à cesta da fruta, aparentemente inofensiva como todos os dias. Mas, e devo dizê-lo, há um grande problema entre a nossa espécie humana (e não RAÇA portuguesa, senhor coisinho da república, os fascistas vêm sempre ao de cima, como se vê… qual direita centro! dissimulado… ); o problema é que nós tomamos sempre tudo por garantido, e, naquela noite, a cesta de fruta deixara de ser inocente e apanhara-me desprevenida.
Aproveitando-se da minha confiança, logo, da minha distracção, sentiu a minha mão aproximar-se de uma banana (nada de associações porcas, hã?) e, qual polvo e a sua tinta, lançou-me uma nuvem espessa de mosquinhas da fruta que eu fiquei para morrer. Podia ter ficado dia de um momento para o outro que eu não tinha dado conta. Desatei a abanar os braços frenética e estupidamente. Com gestos manifestamente idiotas de quem se sente dominada por bichos voadores de três milímetros, esqueci-me, momentaneamente, dos direitos dos animais, peguei no pano da cozinha e desatei a cascar naquelas criaturinhas horrorosas, enquanto tentava não acordar o prédio inteiro. Para que conste, chamava-lhes nomes mesmo feios a cada truncada de pano. Daqueles que nunca chamei a ninguém, tipo grandes p*utas, filhas da p*uta, enquanto as amaldiçoava até ao tutano (ainda que ache que as moscas não têm tutano), com frases fofas como “A seguir à película aderente, são vocês quem eu odeio mais! Aliás, acho que estou prestes a mudar as minhas prioridades…!”
No entanto, quanto mais lhes batia, mas surgiam da cesta, tal e qual um exército organizado. Por momentos, julguei que voavam em formação V, mas admito que possa ter entrado em estado de choque.
Depois de ter morto algumas e de ter espantado outras tantas, ainda me dirigi à cesta para o golpe final: de longe, com o braço esticado, agito a cesta com vigor para que a fruta, naturalmente empilhada, das duas uma: ou solte as últimas moscas ou as mate por esmagamento. Apesar de ser nojento, eu preferia a última hipótese – não há morte mais lixada do que ser morto por quem nos deu vida… muahahahahahahahahaaaaaaaaa!

Odeio-as tanto.

Depois da odisseia mosca da fruta, tentei acalmar-me evitando olhar para as moscas derrotadas em combate. A minha fome tinha dado lugar àquela sensação de quem acabou de comer uma feijoada e de quem forçou as últimas garfadas por pura gula. Nada agradável, até porque eu nem gosto muito de feijoada.
Assim, peguei num copo, enchi-o de água, bebi-o, apaguei a luz e saí da cozinha num passo determinado, jurando vingança ao meu apetite.

No dia seguinte, descobri que as moscas tinham migrado da cesta da fruta para a máquina de café. Ao menos agora é o meu Pai quem tem de lidar com elas.

PS. Encontrei este artigo [link] muitíssimo interessante sobre armadilhas para moscas da fruta...mas que bem, há alguém no mundo que as odeia tanto quanto eu =)
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Tagged

Tue Jun 24, 2008, 5:01 PM
Well, I’ve got tagged by :iconhawkmansg:, so here is.

Rules...
1. Post these rules.
2. Each tagged person must post 8 things about their self in their journal.
3. At the end, you have to choose and tag 8 people and post their icons on the same journal.
4. Go to their pages and send a message saying you tagged them.
5. No tag-backs.

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1) I consider myself addicted to Harry Potter series for I can’t stop reading those damn books. Being a huge fan I actually tried to purchase a Gryffindor Scarf (yeah, big deal) but amazon uk (bastards) don’t deliver to the third world, I mean, to Portugal.
I reckon Sirius is dead, stop nagging now. :bored:

1) Considero-me viciada em Harry Potter porque não consigo parar de ler o raio dos livros. Sendo uma grande fã, tentei comprar um cachecol dos Gryffindor (sim, grande coisa), mas os da amazon uk (mentecaptos) não fazem entregas ao terceiro mundo, quero dizer, a Portugal.
Eu sei, o Sirius está morto, podem parar de chatear. :bored:


2) I usually scream in a very annoying high-pitched voice whenever I see someone I haven’t met for, at least, one week. And I hug, a lot. :giggle:

2) Geralmente grito num tom de voz agudo e bastante irritante quando vejo alguém que já não encontrava há, pelo menos, uma semana. E também sou de abraços. :giggle:


3) Like :iconhawkmansg: who tagged me, I couldn’t live without music. Hearing/watching, playing, singing, it has always to be near, around and part of me. :sing: :music:

3) Como o :iconhawkmansg: que me “tocou/taggeou (lol)” (não sei que expressão escolher para tag), não conseguiria viver sem música. Ouvir/ver, tocar, cantar... faz parte de mim. :sing: :music:


4) I recognize that, probably, I’m a little bit of a hypochondriac. Joining that oh-so-cute characteristic I sometimes suffer for anticipation. Match made in heaven, ain’t it? To balance that I have nonexistent wisdom teeth – thank you! :hmm:

4) Reconheço que, provavelmente, serei um bocadinho hipocondríaca. Juntando a essa característica tão fofa, às vezes sofro por antecipação. Um casamento feito no céu, não acham? Para compensar, não tenho, de todo, dentes do siso – acho que explica muita coisa acerca da minha personalidade. :hmm:


5) I’m sick of Brazilian soap operas. Soap operas and those stupid phone passtimes about them with questions like: who dated Petrus? 1-Bijouzinha (Bee-joo-zee-ña) 2-Ramona (Rah-mo-nah) 3-Maria Paula (Ma-ree-a Pahou-lah). “Only” 60 cents plus IVA. :puke:
I also hate very single advertisement for sanitary napkins.

5) Estou fartinha das novelas brasileiras. Delas e daqueles passatempos por telefone estupidos e das suas perguntas como: quem namorou com Petrus? 1-Bijouzinha 2-Ramona 3-Maria Paula. “Apenas” 60 cêntimos mais IVA. :puke:
Também odeio cada um dos anúncios (os que já foram feitos e os que serão feitos) a pensos higiénicos.


6) Not sure why but I’m a little mad about bad boys gone good, like Mark Wahlberg [link] (forget Marky Mark phase but remember Calvin Klein one!!) and similar non-famous ones. :licking:

6) Não sei bem porquê mas tenho uma tara qualquer por “bad boys gone good”, ou seja (para quem Inglês é igual, ou pior, que Mandarim), por rapazes maus que viram bons (fica tão parolo assim traduzido), tipo Mark Wahlberg [link] (esqueçam a fase Marky Mark mas lembrem-se da da Calvin Klein!!) e semelhantes não-famosos. :licking:


7) I’m generally in a good mood. Can’t see why I shouldn’t… well, actually I can but I don’t give a shit. =D

7) Geralmente estou de bom humor. Não vejo porque não haveria de estar... bom, até vejo mas não me ralo. =D


8) And why 8 things about me? Why not 7? Or 10? Who came up with this anyway?
Hum… I tend to forget things a lot. I get distracted quite easily when I submerge deeply in my thoughts and consequently I forget to do things, I forget about things… I’m a mess. =)

8) E porquê 8 coisas sobe mim e não 7 ou 10? Mas quem é que inventou isto?
Hum... Tenho uma certa tendência para me esquecer das coisas. Distraio-me facilmente quando ponho a pinha a pensar e, consequentemente, esqueço-me de fazer coisas, esqueço-me das coisas... enfim, sou uma confusão. =)

I’m not tagging anyone. Do it if it is your will and warn me if you do. I’m always curious (that’s the ninth thing about me).

Não vou “taggear” ninguém. Se quiserem, façam-no e avisem-me. Sou muito curiosa (esta é a nona coisa acerca de mim, sou uma subversora neste jogo).

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  • Listening to: A voz do Horatio e sons similares k me irritam
  • Reading: Harry Potter and the Chamber of Secrets
  • Watching: CSM Miami (mas sem vontade e tempo para tal)
  • Playing: all work and no play makes Jack a dull boy
  • Eating: Iogurte puro danone, sabor a côco
  • Drinking: Água del Cano

Desculpe! Sabe se a Filó demora muito?

Tue May 6, 2008, 5:11 PM
É giro ver como a minha geração, a qual eu carinhosamente intitulo de “Geração Ainda Mais à Rasca”, conjuga o melhor de dois mundos numa simples frase. É no autocarro onde escuto à socapa a maioria das conversas interessantes que vou ouvindo. Primeiro, não é feio como ouvir atrás das portas ou espreitar pelo buraco da fechadura. As pessoas estão num espaço público em que expõem tudinho de forma, por vezes, descarada e quase obscena. Entra-se no autocarro e não há vergonha de nada, nem de roçar mamas gigantescas por corpos alheios e, naturalmente, repugnados (quando femininos heterossexuais... a não ser que certas lésbicas tenham um fetiche por mulheres mais largas que compridas e que sofram de hirsutismo severo, o qual não tratam). Fale-se com o parceiro com quem se entrou ou com um parceiro que se arranjou durante a jornada, mas fale-se.
Arranjar parceiro para o conversé não é difícil. Geralmente, eu não quero parceiros de conversé, gosto mais de ouvir os outros (no autocarro, porque a tagarelice é de nascença) mas os que tive, ainda que de forma totalmente involuntária, chegaram-se a mim e não eu a eles. Na maioria pertencem a uma faixa etária duvidosa que se situa entre os 70 e os 90 anos de idade. Uns, de boa saúde mental, perguntam-me como vai o curso (vendo a pasta universitária e afirmando que têm uma igualzinha lá em casa, palavra de honra); outros, de saúde mental mais dúbia, vagueiam pelo discurso da culpa dos atrasos do autocarro. Uma senhora do Tovim afirmou tantas vezes que os autocarros se atrasavam de propósito para a chatear que eu, ao fim da terceira insistência, passei de “olhe que é o trânsito, deve estar quase a chegar” a “sim sim, tem toda a razão, esses badamerdas dos motoristas andam feitinhos com o diabo. Hão-de levá-la à loucura, depois ao suicídio e, quando finalmente deixar esta terra de doidos, apercebe-se de que, como seguia os ensinamentos do JC, estará, nesse inglorioso momento, no quentinho do inferno.”. Falar de inferno agita algumas mentes. A minha não, claramente.

Mas voltemos às conversas. Esta não se passou comigo, passou-se com o Carlos (ou Garmos, em noites de Bowling). Ia o rapaz a viver a maior saga de transportes públicos que alguma vez teve na sua vida quando dois senhores de idade, sentados lado a lado num autocarro apinhado, comentam um para o outro: Ó António... tu hoje estás completamente inoxidável!
Momento glorioso. É como nos sonhos estapafúrdios. Por mais estapafúrdios que sejam, fazem sempre sentido! Pelo menos enquanto estamos a dormir, são regidos pela maior, melhor e mais altamente eficaz lógica do mundo. Em poucos minutos tratamos Sócrates, Platão e Descartes por tu e ainda lhes damos um bailinho de vocabulário só para verem quem é que manda. No entanto, esta sensação de que tudo o que dizemos faz sentido, torna-se num estado permanente a partir de certa idade. E, felizmente, continua a ter piada, tanto para eles como para nós.
Viva a senilidade – em sonho constante!

Agora, a minha segunda geração à rasca também tem coisas giras. É incrível, impressionante como se conjugam origens brejeiras com a poesia que advém do estudo universitário.
A moça tinha um ar preocupado, embora eu estivesse a olhar-lhe directamente para a nuca e ela usasse óculos de sol (sim, sou como o House, boa a observar pessoas). Relatava ao amigo, que se sentava ao lado, uma qualquer complicada situação que acabara de atravessar. Dizia ela (nunca esquecerei):

- É que eu já passei por uma situação semelhante. Há muito tempo atrás, experienciei algo análogo. Felizmente, não reagi da mesma forma como hoje reajo.
Hoje... estou-me a cagar.


Tenham uma boa semana =)



PS. O título do journal deve-se a um episódio no TAGV. Agora que lá estagio, descobri que nunca, mas nunca mais saio pela porta principal. Havia um ensaio gigantesco, do qual eu não tinha qualquer tipo de conhecimento. De um lado da porta, havia meninas de todas as idades a saltitarem de um lado para o outro em collants, tutus e sabrinas (eu também já fui assim); do outro lado da porta, havia pais preocupados e apressados, mantidos como cães por detrás de uma fita separatória, a única coisa que os impedia de abrirem a porta e tomarem os bastidores de assalto. Ora, eu passo no corredor, saída do trabalhinho ao final da tarde, cansada e a querer ir para casa pôr-me de molho, e antes de atravessar a famosa porta divisória (ainda bem que há divisões neste mundo), a enchente de crianças em fatos de ballet traz-me recordações aprazíveis, apesar da terrível chinfrineira que se ouvia vários andares acima e até para os lados. Passo a porta para seguir o meu destino (que era dali para fora) e o caos é mais feio, menos cor-de-rosa e sem folhos nem tutus. Os pais, aos trinta, atiram-se a mim num desespero completo e grita-me a primeira senhora que consegue alcançar os meus ombros: Desculpe! Sabe se a Filó demora muito???


Oh the joy of living =)

PS. Obrigada Garmos pela correcção!

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  • Listening to: tic tac do relógio de corda do Pai
  • Reading: Psicólogs,Psiquiatras e OutrsDoentsMentais
  • Watching: Perdi o House ontem...mas fui ao cinema
  • Playing: all work and no play makes Jack a dull boy
  • Eating: 17,90 no Nacional - burrrp
  • Drinking: Água que veio de Alvite!

Só a mim

Sun Mar 2, 2008, 7:14 PM
Numa epoca difícil da vidinha de uma pessoa, tudo o que é mais ou menos mau parece péssimo. No entanto, há sempre consultas de dermatologia para animar o dia!

Numa quente tarde de Fevereiro (viva o efeito de estufa), a minha pessoa dirige-se à Baixa conimbricense à procura do consultório de um senhor doutor dos dói-dóis da pele. Rapidamente confirmei as minhas suspeitas: o consultório situava-se numa daquelas casas antiquérrimas que no rés-do-chão não tem nada a não ser umas escadas em madeira assustadoramente a pique que parecem intermináveis (pelo menos dois andares tinham). Valeu-me o corrimão, que eu já não sou uma jovem de 11 anos!

Ligeiramente ofegante depois de um lance inteiro de vertiginosa escadaria, deparo-me com uma porta que não conseguia abrir. O vidro fosco e a ausência total de maçanetas fizeram-me pensar que, provavelmente, teria entrado num daqueles livros que a minha geração lia, os “Arrepios”. Obriguei-me a racionalizar e a não temer o desconhecido para lá da porta pintada daquele beige tipico das casas antiquérrimas que querem parecer limpinhas e mais jovens do que realmente são. Decidi empurrar a metade direita da porta. A metade direita da porta não se mexeu. A coisa estava a ficar pior. Tentei pois, já por falta de alternativas, empurrar a parte esquerda. E fez-se luz! Ou direi melhor, escuridão?

Sim, os corredores estavam escuros. Desagradavelmente escuros. No entanto, à minha direita surgia um foco de luz esbranquiçada. Descobri que provinha de uma “casinhota” mesmo ao lado da porta por onde tinha acabado de entrar. Enfiada lá dentro, não menos branca que a luz que a alumiava, estava uma senhora idosa, de cabelos alvos e bata igualmente NeoBlanc (branco mais branco não há ). Sentada, folheava uma pequena agenda repleta da caligrafia esticada e ondulante igualzinha à da minha avó, quando os seus óculos redondos de aros de massa me miraram e a sua boca se abriu de imediato, pronunciando em tom indiferente: Cláudia Morais?? – perguntou ela mais rapida que um trovão. Era assim tão óbvio que eu era a Cláudia Morais apesar de estar adiantada 15 minutos para a hora da consulta?

Claro que era.

Não desviando o olhar um milímetro sequer, seguiu: - Espere, por favor.
Eu, que não sou lá muito boa a lidar com este tipo de emoções fortes, tive mesmo de lhe perguntar: - Peço desculpa, mas será que me podia indicar a casa-de-banho?
Depois das indicações recebidas, respirei fundo e, decidida, percorri o corredor.

O papel de parede forrava todo aquele labiríntico corredor. Tudo tinha um tom esverdeado e amarelo-diarreia que enjoaria até um futebolista com gosto para a decoração de interiores. Os candelabros negros em forma de chama eram apenas o toque final naquele requintado gosto. Azar o meu. A lâmpada de luz branca que, supostamente, iluminaria aquele espaço lúgubre, estava com uns cheliques muito estranhos e piscava que se fartava, apenas permitindo-me ver com clareza por onde me enfiava durante 1 décima de segundo. Se me aparecesse pela frente a Ministra da Educação semi-nua, com a cara pintada, numa performance fidedigna da dança da chuva africana e vestida em missangas que nem por isso lhe tapavam as vergonhas, tinha morrido ali.

O corredor serpenteava para a direita. As tábuas do soalho eram bamboleantes demais para o meu gosto, dando-me a sensação de que poderia aparecer por ali um buraco a qualquer momento. Mais portas, mais corredor e, finalmente, a terra prometida! Uma portinha pequena com uma chave dourada (tinha de ser dourada) de fora – a minha bexiga estava salva.

Curiosamente, depois de todo aquele percurso sombrio, a casa-de-banho tinha uma luz amarelada estranhamente aconchegante. Será que isso quereria dizer alguma coisa? Estariam a dar-me o céu antes de me mandarem, de novo, para o inferno? Será que, depois das mãos lavadas e limpas numa toalha de algodão (sim, ali não se gasta papel desnecessariamente), de ter a chave dourada na mão, pronta a sair daquele cubículo que, apesar de já ter visto mais porcaria que um telespectador da TVI, tinha o seu aconchego, EU, Claudette Maria, iria dar de caras... com o Sócrates em cuecas da feira, 5 euros meia dúzia? Mas o destino (ai destino!) foi gentil comigo, poupou-me o coração a tal susto. Confesso que me custou apagar a luz da casa de banho e mergulhar na escuridão de novo. Por isso, decidi percorrer o caminho de volta em passo rapido até à sala de espera.

Entrando naquele espaço igualmente sombrio, dir-se-ia que eu deveria estar vestida com um vestido longo até aos pés, uma fita de seda a apertá-lo por baixo do peito, cabelos apanhados num tutu em caracol e não calçada com sapatilhas e calças de ganga. Decidi sentar a minha real peida (ai, uma senhora não utiliza estes termos) num dos austeros cadeirões e apreciar as redondezas. Naperons rendados – confirmado; vaso piroso – confirmado; flores postiças no vaso piroso – confirmado; livros em vez de revistas – confirmado. Não que esta última característica seja má de todo. Prefiro mil vezes a intemporalidade de um livro à efemeridade (ah, que se lixe, já que disse “ peida ” também acho que não há mal se disser FUTILIDADE) da revista Caras. E que tipo de livro teria um sítio destes, perguntarão vocês, leitores que ainda não adormeceram com a narrativa? Reconheci-o de imediato: “Coimbra – A Alta Desaparecida”. Óóóóbvio. O consultório, achava eu, era um espaço de passado recalcado sobre passado recalcado sobre passado.

- Cláudia Morais?? Pode ir!
Sim senhora.

Bati à porta e finalmente alguma luz natural. O consultório do senhor doutor era mais branco, menos verde, menos lúgubre. A fazer “ pandan ” com a senhora recepcionista, também ele tinha tudo muito NeoBlanc. Sentei-me e a conversa naturalmente queixosa lá começou. Ai, é isto assim, é aquilo assado. Já fiz aquilo mas não deu resultado. Fiz o outro e até melhorei, mas eu cá não gosto de comprimidos. E ele rematava com questões giras: - O que faz a moça? Ah, é do cinema... O velho [Manoel de Oliveira] é que nunca mais morre, hã?? Aqueles filmes dele fazem-me adormecer.

A parte da observação também foi engraçadota. Puxou-me para ao pé da lente de aumento com luz incorporada e eu, completamente indefesa, lá tive de me submeter ao “ palhacito, amigo, companheiro, todos somos prostitutas desta esquina que é a vida” do Herman. Para quem não se lembra, o Herman encarnava o Avô Cantigas e amassava a cara aos putos que o rodeavam enquanto proferia aquela e outras frases semelhantes. Depois, na mesma rábula (sketch, prós mais novos), entrava o Zé Pedro Gomes a cantar a música das “ Panquecas, quecas, quecas...! ”. Para impor ordem, o Diácono Remédios parava com tudo e ensinava músicas do Dragon Ball às crianças enquanto todos destruíam o cenário.

- Moça, se quer um tratamento, sugiro isto...
Fez-me um desenho muito catita com a derme, a epiderme, as glândulas sebáceas, os poros e tudo mais. E disse-me, ainda que por outras palavras, que eu era uma moça muito “sexual”, porque tudo se devia a hormonas sexuais em conflito com a pele. Resumindo, clinicamente sou uma grande maluca.

Pois é. Existia tratamento, uma coisa de último recurso para pessoas teimosas como eu. Teria de sofrer penosos meses intermináveis sem apanhar muito sol, sem comer coisas boas (como quem diz, gorduras), fazer análises de dois em dois meses e, muito grave (o senhor doutor até o escreveu nas indicações que me deu com letra maiúscula e sublinhado, repetindo-o oralmente umas quatro vezes), PROIBÍDA A GRAVIDEZ. Fiquei desolada. Desta última é que não estava à espera. Tirem-me os chocolates, os raios de sol, mas não me tirem a capacidade de poder engravidar aos 22 anos, sem carro nem casa propria, sem emprego e a pagar 2500 euros pelo Mestrado!

- Mas, moça, saiba que o melhor tratamento é a idade.
Então, oh, faz-me um desenho todo giro, diz-me que se eu quiser até posso morrer a tentar tratar-me (exagero), logo depois de ter dado à luz uma criança completamente deficiente, e agora deita-me esta para o colo? Que a idade faz tudo? *estalido com a língua* Ai...!

Foi ao armário buscar-me um batom de cieiro (!), entregando-mo como se entrega um chupa-chupa ao menino que se portou bem na consulta do senhor doutor médico de bata branca. E lá lhe dei um aperto de mão na despedida, agradecendo a gentileza. Acompanhou-me até à porta ainda a falar do Oliveira.

Dirigi-me, novamente, à casinhota da senhora alva. Uma broinha de frutos secos pousava em cima de uma revista. Tinha-lhe interrompido o lanche. Paguei-lhe cinquenta euros pelo incómodo. Guardou, diligentemente, a quantia num maço de notas que extraiu, com uma incrível rapidez, do bolso esquerdo da bata. Fez-me lembrar um membro qualquer da Máfia mas com as cores da roupa invertidas.

À saída, mirei as escadas a pique e achei que descer, ao menos, sempre era mais fácil. Mas, assim que me agarrei ao corrimão, procurando apoio tal e qual um velhinho centenário, entram, de rompante, duas crianças que galgam as escadas em 3 segundos. Claramente abismada, reparei que os progenitores vinham atrás, agarrando-se ao corrimão como quem se agarra à vida. Tive a amabilidade e o altruísmo de me afastar para lhes permitir a passagem, já que a subida me parecia extremamente custosa a avaliar pelas expressões faciais de desespero de ambos, de olhos arregalados presos na segurança do patamar (been there, done that).
Por este gesto, eu podia ter caído pelas escadas abaixo. Mas safei-me. Ser uma querida compensa, apesar de nenhum deles ter agradecido (verbalmente!).

=)

Fim

P.S. - Chegaram ao Fim? Conseguiram mesmo?

P.S. 2 - Desculpem a falta de acentos em algumas palavras mas se escrever normalmente a palavra pró;pria vai sempre ficar com aquela cara esú;pida que me há-de perseguir em pesadelos e, eventualmente, levar à loucura.

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